As doenças que atingem o fígado podem ter sintomas pouco específicos e, na maioria das vezes, quase imperceptíveis. Identificar esses problemas precocemente pode evitar que algumas doenças se agravem, já que muitas delas podem ser silenciosas. O fígado é o segundo maior órgão do corpo humano e pesa, em média, 1,5 quilo. Ele também é um dos poucos órgãos que possui a capacidade de se regenerar, sendo responsável por sintetizar o colesterol e filtrar as toxinas do organismo. Neste post, nós vamos entender um pouco sobre as doenças mais comuns que comprometem esse órgão e como identificar os sinais delas.

Hepatite A

A hepatite A é uma doença infecciosa causada pelo vírus da hepatite A (VHA), que tem tropismo pelo fígado, seu principal órgão de multiplicação. A incidência de hepatite A no Brasil é maior em crianças menores de dez anos de idade. Os casos nessa faixa etária correspondem a 55% de todos os casos identificados no país nos últimos 15 anos.

Como é transmitida?

O VHA pode ser encontrado nas fezes, sendo inicialmente disseminado por via fecal-oral. A hepatite A também pode ser contraída pela água contaminada com material fecal, pelo contato pessoal (até mesmo pelo aperto de mãos de pessoas contaminadas com o vírus) ou ainda por meio de crianças que frequentam creches. Entre outras formas de contágio podemos ter ainda a via do contato sexual e usuários de drogas.

Principais sintomas da Hepatite A

A infecção é geralmente assintomática ou se manifesta por sintomas inespecíficos, comuns aos de qualquer outra virose, tais como febre, dor de cabeça e perda de peso. Os pacientes também podem apresentar náuseas, vômitos, diarreia, olhos e pele amarelados (icterícia), urina escura e dor abdominal. A sintomatologia usualmente se intensifica com a idade. É uma doença autolimitada, mas pode eventualmente ter um curso agudo prolongado de até 6 meses de evolução. Raramente pode evoluir para a forma fulminante, com necessidade de transplante de fígado. Não existe evolução para hepatite crônica ou cirrose.

Tratamento

Não existe tratamento antiviral específico para a hepatite aguda A, no entanto, a vacina está disponível no SUS para todas as crianças com menos de 5 anos e em adultos portadores de doenças crônicas no fígado, como hepatites B ou C e cirrose.

Hepatite B

A Hepatite B é a inflamação do fígado, causada pelo vírus da hepatite B (HBV), que pode se desenvolver de forma aguda ou persistir por mais de seis meses, quando é chamada de hepatite crônica B. Essa forma crônica pode evoluir para cirrose (destruição das células hepáticas e cicatrização com perda da função normal do fígado) e câncer primário do fígado (carcinoma hepatocelular).

Diagnóstico

A única maneira de saber se uma pessoa está ou não com hepatite B é por meio de exames de sangue. Os testes podem definir se a pessoa já teve a hepatite B e está curada; se está com a infecção crônica ou se nunca entrou em contato com o vírus. Exames de sangue podem ser realizados por punção venosa ou pela punção na ponta do dedo (teste rápido). O teste rápido está disponível em Centros de Testagem e Aconselhamento, em Unidades de Testagem Móvel e nos Postos de Saúde, sendo o resultado conhecido em cerca de 5 minutos.

Como prevenir?

A vacina contra hepatite B é eficaz e gera proteção contra a doença pelo resto da vida na maioria das pessoas. Administrada por via intramuscular em três doses no período de seis meses, ela está disponível nos Postos de Saúde.

Tratamento

Nos pacientes com hepatite aguda B não há indicação para tratamento, na maioria dos casos, pois a infecção é curada espontaneamente sem deixar sequelas. Entre os pacientes com hepatite crônica B, nem todos irão necessitar de tratamento no início. No caso de os exames de sangue evidenciarem que a infecção está causando inflamação ou fibrose (endurecimento do fígado), o médico definirá o medicamento antiviral mais adequado para cada caso.

Hepatite C

A hepatite C é uma doença hepática causada pela infecção pelo vírus da hepatite C (VHC). Este vírus produz uma inflamação crônica no fígado que leva a formação de fibrose (cicatrizes) podendo evoluir lentamente e de forma silenciosa para a cirrose, caso não seja diagnosticada e tratada precocemente. A maioria dos pacientes brasileiros contraiu a hepatite C nas décadas de 70 a 90 e tem mais de 45 anos hoje. Atualmente, estima-se que cerca de 657.000 pessoas estejam infectadas pelo VHC no Brasil.

Transmissão

A transmissão da hepatite C ocorre principalmente por via parenteral, por meio do contato com sangue contaminado. Outros mecanismos de transmissão são igualmente importantes, tais como: compartilhamento de agulhas e seringas entre usuários de drogas injetáveis, reutilização de equipamentos médicos, especialmente seringas e agulhas não adequadamente esterilizadas em ambientes de assistência à saúde, e uso de sangue contaminado e seus derivados. A transmissão sexual do VHC é rara, mas também pode ocorrer principalmente em indivíduos com múltiplos parceiros e práticas sexuais de risco sem uso de preservativo. Há também a possibilidade de transmissão vertical (mãe para filho) em menor proporção dos casos.

Sintomas da Hepatite C

A doença costuma ser silenciosa, sendo detectada apenas por testagem ou alterações de enzimas hepáticas (AST, ALT) em exames de rotina. Nas fases mais avançadas da doença (cirrose), os sintomas são característicos da insuficiência do órgão, tais como: inchaço nas pernas, aumento do abdômen (ascite) e olhos amarelos (icterícia).

Diagnóstico

O diagnóstico da hepatite C é muito fácil. Por isso, recomenda-se o rastreamento de todos os indivíduos acima de 45 anos no Brasil com um simples teste chamado anti-VHC. Esse teste pode ser rápido com a coleta de uma gota de sangue do dedo ou pode ser através de um teste mais sofisticado de Laboratório chamado Elisa ou Quimiluminescência. O resultado do anti-VHC positivo não significa necessariamente que o indivíduo tenha o vírus da hepatite C. Esses testes podem ser, raramente, falso positivos, como também o indivíduo que teve hepatite C e curou permanece com esse teste positivo por longo tempo. Assim, após um teste anti-VHC positivo é preciso confirmar se a doença está presente no individuo através da pesquisa quantitativa do VHC-RNA, ou carga viral do VHC.

Tratamento

O tratamento atual do VHC com drogas antivirais diretas é fácil, seguro, fornecido pelo SUS e de curta duração. Sua indicação é médica e se dá de acordo com o genótipo viral (tipo do VHC) e fatores individuais dos pacientes. O tratamento pode durar 8-24 semanas e se associa a altas taxas de cura acima de 90% na maioria dos casos.

Cirrose

A cirrose é o processo final de toda doença crônica do fígado. Quando este órgão sofre qualquer processo inflamatório persistente (ao qual chamamos de hepatite crônica), por um longo período, ocorre progressivamente substituição do tecido normal do fígado por fibrose (cicatrizes) que pode levar a cirrose. A cirrose é caracterizada por alteração da arquitetura normal do fígado pela presença de nódulos que envolvem as células hepáticas remanescentes.

Causas da cirrose

As principais causas de doença crônica do fígado que levam à cirrose são: hepatite C, hepatite B, álcool e a doença hepática gordurosa não alcoólica (esteatose hepática ou gordura no fígado). A esteatose hepática está intimamente associada com obesidade e síndrome metabólica que pode se associar a elevação de colesterol e triglicérides, hipertensão arterial e diabetes melito.

Como ocorre a doença?

Inicialmente pode ocorrer apenas alteração na forma do fígado, que fica menor do que o habitual, ou com contornos irregulares, como se ficasse “áspero”. Nessa fase o paciente habitualmente não tem qualquer sintoma e a doença passa inteiramente desapercebida. Essa fase da cirrose é a que chamamos de compensada. Entretanto, com o avançar da doença, o fígado pode começar a não funcionar de forma adequada (fase descompensada).

Consequências da cirrose

Uma das primeiras alterações que ocorre na cirrose é chamada hipertensão portal (HP). Ela é causada pelo aumento na pressão da veia porta – vaso que drena todo o sangue proveniente dos intestinos para o fígado. Este aumento da pressão da veia porta na cirrose é decorrente do aumento do fluxo sanguíneo nos vasos do abdômen e da maior resistência ao fluxo pela alteração da arquitetura do fígado na cirrose. A HP pode levar a formação de varizes no esôfago (veias dilatadas que podem se romper e causar sangramento digestivo) e ascite (acúmulo de líquido no interior do abdômen).

Como evitar

A prevenção consiste no diagnóstico precoce das doenças que causam inflamação crônica no fígado, para que sejam tratadas antes que evoluam para a cirrose.

Nunca se esqueça de que apenas o médico pode avaliar, diagnosticar e indicar o melhor tratamento para cada caso.

Fonte: Tudo sobre fígado

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