Depress√£o¬†n√£o √© frescura nem fraqueza. √Č uma doen√ßa como qualquer outra. Apesar de afetar milh√Ķes de pessoas em todo o mundo, ainda desperta muitos preconceitos. Mesmo com bastante informa√ß√£o dispon√≠vel sobre o assunto, a pergunta que muita gente se faz √© ‚Äúcomo saber se estou com depress√£o‚ÄĚ?

A depressão é um transtorno mental que afeta quase 10% da população mundial e caracteriza-se por sentimentos constantes de tristeza profunda, apatia, perda de interesse em atividades antes prazerosas por um período considerável, no mínimo duas semanas.

Em linhas gerais, a depressão é descrita por especialistas como um transtorno biológico no qual a pessoa se sente deprimida ou perde o interesse ou prazer em relação a algo que tinha antes, afetando diversas áreas de sua vida (profissional, pessoal, familiar, social etc.).

Mas o diagn√≥stico √© complexo: n√£o passa por exames, mas pela an√°lise cl√≠nica de profissionais de sa√ļde especializados com base em sintomas, crit√©rios diagn√≥sticos (h√° quanto tempo persistem os sintomas, por exemplo), hist√≥rico familiar, gatilhos, comorbidades, entre outros pontos.

Segundo a Organiza√ß√£o Mundial da Sa√ļde (OMS), a depress√£o afeta atualmente quase 12 milh√Ķes de pessoas no Brasil, ou 5,8% da popula√ß√£o, taxa superior √† m√©dia mundial (4,4%) e abaixo apenas do l√≠der Estados Unidos (5,9%). Essa condi√ß√£o, que n√£o tem causa √ļnica, atinge as pessoas independentemente da idade, classe social, profiss√£o, ra√ßa/etnia ou do g√™nero.

Sintomas da depress√£o

Para ficar atento ao que você sente e a como as pessoas ao seu redor estão, é importante ter clareza de quais são os sintomas da depressão, pois eles não se limitam apenas à tristeza. Além disso, dependendo do nível da depressão alguns sintomas podem ser mais leves ou mais agudos.

Diferente da tristeza passageira, que é normal e afeta as pessoas várias vezes ao longo da vida, a depressão se trata de um estado permanente de tristeza e melancolia. Entre eles, podemos citar:

  • Humor deprimido;
  • Tristeza;
  • Mudan√ßas de apetite (comer pouco ou em excesso);
  • Apatia (n√£o sente prazer em realizar atividades que antes proporcionavam alegria);
  • Perda de energia;
  • Dificuldade para se concentrar;
  • Baixa autoestima;
  • Sentimentos de culpa constantes;
  • Pensamentos sobre morte e suic√≠dio;
  • Automutila√ß√£o (h√°bito de causar les√Ķes f√≠sicas a si mesmas);
  • Altera√ß√Ķes no sono.

Fatores de risco

  • Hist√≥rico familiar
  • Transtornos psiqui√°tricos correlatos
  • Estresse cr√īnico
  • Ansiedade cr√īnica
  • Disfun√ß√Ķes hormonais
  • Excesso de peso
  • Sedentarismo e dieta desregrada
  • V√≠cios (cigarro, √°lcool…

O impacto da pandemia na depress√£o

Segundo o psiquiatra e pesquisador da Universidade Federal de S√£o Paulo (Unifesp), Michel Haddad, a pandemia contribuiu para expor um aumento dos casos de transtorno mental que j√° era percebido nos anos anteriores. ‚ÄúA pandemia escancarou esse problema, mas isso j√° vinha acontecendo de longa data, especialmente nas √ļltimas duas d√©cadas‚ÄĚ, destacou.

O m√©dico explicou que os transtornos mentais, sendo a depress√£o um dos mais comuns, est√£o ligados a uma s√©rie de fatores, desde a pr√©-disposi√ß√£o gen√©tica at√© quest√Ķes do meio onde a pessoa vive. Por isso, Haddad enfatizou a import√Ęncia de uma aten√ß√£o especial a grupos mais vulner√°veis:

‚ÄúOs ambientes competitivos, a desigualdade social, as minorias √©tnicas, as popula√ß√Ķes que t√™m estado de vulnerabilidade social ou os grupos mais vulner√°veis: idosos e adolescentes, todos esses s√£o, infelizmente, a popula√ß√£o mais afetada‚ÄĚ.

Como prevenir a depress√£o

Prevenir a depressão é a melhor forma de combater a doença. Além de cultivar um estilo de vida saudável, praticar exercícios regularmente e cuidar da mente, a terapia também pode ser uma aliada poderosa nesse processo.

Caso a pessoa seja diagnosticada com depressão, o médico irá indicar qual é o tratamento adequado, podendo ser apenas a psicoterapia ou havendo a necessidade de medicação. Além dos tratamentos convencionais, existem terapias alternativas que podem ser complementares e ajudar o paciente a evoluir mais rápido e combater a doença.

Tratamento

√Č recomend√°vel que todas as pessoas fa√ßam terapia¬†ao longo da vida, pois √© ineg√°vel que o acompanhamento de um psic√≥logo pode ajudar na resolu√ß√£o de conflitos internos e a ter um dia a dia mais equilibrado.¬†

Tipos de Tratamentos:

  • Psicoterapia – Em casos de depress√£o leve, somente a psicoterapia pode ser um tratamento eficaz para a doen√ßa. Isso n√£o significa que n√£o seja indicada em quadros de depress√£o mais grave. A psicoterapia √© essencial para todos os tipos de pacientes depressivos.
  • Medica√ß√£o – Todo paciente com depress√£o deve consultar um psiquiatra, pois ele poder√° indicar se h√° ou n√£o necessidade de¬†medica√ß√£o para o tratamento da doen√ßa. s√£o indicados, Rem√©dios antidepressivos principalmente, em casos de depress√£o moderada ou grave, mas cabe apenas ao psiquiatra tal avalia√ß√£o.
  • Tratamentos naturais – N√£o substituem o tratamento m√©dico e a necessidade de psicoterapia e medica√ß√£o, mas os tratamentos naturais podem contribuir e ajudar a trazer resultados positivos com o tempo. Veja alguns exemplos:
    • Pr√°tica regular de exerc√≠cios: est√≠mulo do prazer e bem-estar;
    • Ingest√£o de alimentos ricos em √īmega 3: salm√£o, sardinha e sementes de nozes s√£o alguns dos exemplos;
    • Ingest√£o alimentos ricos em vitaminas B e D:¬†frango e ovo, por exemplo, ajudam a dissipar o cansa√ßo mental e f√≠sico;
    • Beber suco de uva, maracuj√° e ma√ß√£: todos ajudam acalmar e combater o cansa√ßo mental e f√≠sico.

 

Fonte: Ivana Coimbra Freire РPsicóloga CRP/PR 08/04554