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Páscoa amarga. Por que não?
Se você teme engordar comendo chocolate, feche a boca e abra os olhos. No rótulo, procure por produtos que têm mais de 55% de cacau. Chocolate amargo é mais nutritivos e pesa menos na balança – e na consciência

 
 

Publicado em 05/04/2009, no jornal Gazeta do Povo, Caderno Viver Bem. Texto de Adriana Czelusniak

Bastou entrar a Quaresma para que os supermercados criassem os cada vez mais intimidadores túneis de ovos de Páscoa. Essa indústria parece alheia à crise e não poupa o consumidor: os ovos estão cada vez maiores – e mais caros.

O Brasil é um dos maiores consumidores mundiais de chocolate. E o mercado oferece muitas opções. Até mesmo quem tem restrições alimentares e deve evitar a lactose, glúten, cacau ou açúcar – presentes na maioria dos chocolates – tem alternativas. São exemplos o ovo de alfarroba (extraída da vagem de uma árvore nativa da Costa do Mediterrâneo) e os chocolates diet.

Mas, quando a preocupação é o peso, a palavrinha mágica é autocontrole. Quer emagrecer? Não ataque os chocolates do sobrinho nem pense em roubar o ovo diet da avó (porque estes têm carga extra de gordura) –, consuma com moderação, cuidando da frequência e quantidade ingerida.

Enquanto a população enlouquece com as embalagens coloridas, sabores e formas que surgem a cada ano, do consultório médico vem a orientação: “Não adianta se acabar no chocolate e dizer que come porque ganhou muito e não quer jogar fora. Muita gente faz isso e depois corre para o consultório pedindo socorro”, diz a nutricionista Eda Maria Scur, coordenadora do curso de Nutrição da Universidade Positivo (UP).

Segundo ela, a exagerada ingestão de chocolates é um problema cultural. “É preciso mudar a prática de fazer da Páscoa sinônimo de comer muito e muita coisa que não é saudável, e desestimular o ovo de chocolate como símbolo absoluto da data. Era para ser um período de jejum, mas há uma inversão de valores religiosos e hoje virou um evento gastronômico”, diz.

Chocolate “dá barato”
Pela presença do cacau, o chocolate é um alimento nutritivo, com vitaminas e sais minerais que reduzem a pressão sanguínea, protegem o coração, ajudam a melhorar a função cognitiva e estimulam a produção de serotonina, o que traz a sensação de bem-estar.

Mas antes de devorar uma caixa inteira de bombons, saiba que não é todo chocolate que faz bem à saúde. A nutricionista clínica funcional Flavia Ferreira, da Paraná Clínicas, esclarece que, para oferecer todos os benefícios, o chocolate escolhido deve ser o amargo. “Quando o chocolate tem mais de 55% de cacau na formulação possui grande quantidade de substâncias que neutralizam radicais livres, retardando o processo de envelhecimento. Além disso, ele reduz concentrações do LDL (colesterol ruim) e aumentam a concentração HDL (colesterol bom)”, diz.

No caso dos outros chocolates, a pouca quantidade de cacau e a presença maior de gordura saturada – que é acrescentada no processo de fabricação – fazem com que eles sejam menos benéficos e levem a problemas como a obesidade. A engenheira de alimentos Fátima Virgínia de Carvalho, professora de Farmácia da UP, explica que um bom chocolate desmancha e derrete facilmente na boca, diferente daquele com má qualidade, que é mais duro. “O chocolate que não tem boa qualidade fica grudento na boca, é mais gorduroso. Para diminuir o custo, muitos fabricantes reduzem o cacau e aumentam a gordura”, conta.

Bebê não quer doce, não!

Não é difícil perceber que as crianças estão cada vez mais preocupadas com o brinquedo que vem dentro do ovo do que com o chocolate, e essa percepção pode ser usada em favor da boa alimentação. Segundo a nutricionista Juliana Trevilini Garcia, quanto mais tarde o chocolate e doces em geral forem apresentados à criança, melhor. “Quanto menos a criança comer doces, e alimentos ricos em açúcares em geral, menor será a vontade de consumi-los e menos complicações futuras ela terá”, diz.

Para Juliana, chocolates devem aparecer na vida da criança somente a partir dos dois anos. “E é preciso discipliná-la quanto à quantidade e regularidade do consumo para que ela aprenda a desenvolver um comportamento alimentar saudável”, afirma.

Segundo a nutricionista Eda, dá para agradar os pequenos evitando que os exageros da Páscoa façam mal à saúde e ao bolso. “As crianças podem receber o ovo de chocolate pequeno e outros produtos que remetam à data festiva. Jogos, livros, atividades (recortes, pinturas, colagens) e brinquedos educativos podem substituir parte do chocolate”, diz.

Para ilustrar, a nutricionista criou uma cesta com nove itens, incluindo um ovo de chocolate com 120 gramas. Seguindo o exemplo, tanto as calorias quanto o preço caem pela metade se compararmos a cesta sugerida a um ovo de tamanho grande. Conheça a lista dos produtos sugeridos acessando o Viver Bem online no site da Gazeta do Povo. Lá você também lê sobre a história do chocolate, contada pela nutricionista Juliana Trevilini Garcia.

Serviço

Nutricionistas Flavia Ferreira Sguario (41) 3342-4197, Juliana Trevilini Garcia (41) 3234-1616 e Eda Maria Scur (41) 3027-3930.

 
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